Municípios tratam adaptação climática como prioridade regional

Câmara Setorial do Meio Ambiente do Cisvale coloca o AdaptaCidades no centro das estratégias regionais; necessidade de treinamento das equipes municipais para uso da ferramenta foi apontada

Santa Cruz do Sul – A Câmara Setorial do Meio Ambiente do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) realizou a primeira reunião de 2026 com foco na implementação do sistema AdaptaCidades, plataforma exigida pelo governo federal que orienta os municípios na construção de políticas públicas voltadas à adaptação climática e à resposta a eventos extremos da natureza. A ferramenta estabelece diretrizes para diagnóstico de vulnerabilidades, elaboração de planos de contingência e organização de estratégias locais capazes de fortalecer a resiliência das comunidades diante de fenômenos cada vez mais frequentes.
O AdaptaCidades integra a política nacional de enfrentamento às mudanças climáticas e passa a ser um instrumento estratégico para o planejamento ambiental e urbano dos municípios. Por meio da plataforma, os governos locais precisam organizar informações sobre riscos climáticos, infraestrutura, áreas vulneráveis e medidas de prevenção, estruturando planos de adaptação e resiliência que também servirão de base para a captação de recursos federais e internacionais destinados a projetos ambientais e de proteção civil. A complexidade da ferramenta exige capacitação técnica e organização interna das administrações municipais para utilização adequada do sistema.
A necessidade de preparação das equipes foi reforçada após participação de técnicos da Câmara Setorial em uma capacitação realizada recentemente em Porto Alegre. O encontro reuniu representantes de diferentes municípios e apresentou orientações práticas sobre a utilização da plataforma e os requisitos técnicos exigidos pelo governo federal. A partir dessa experiência, os integrantes da Câmara trouxeram para a região a recomendação de que os municípios organizem grupos de trabalho específicos para conduzir o processo de adaptação e inserção de dados no sistema.
O presidente do Cisvale, prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker, afirma que o debate regional é fundamental para que os municípios consigam se preparar de forma estruturada para essa nova realidade climática. “O AdaptaCidades exige organização técnica e planejamento. Ao tratar o tema de forma conjunta, fortalecemos a capacidade dos municípios de estruturar equipes, compreender a ferramenta e acessar recursos que serão fundamentais para projetos de adaptação e prevenção”, afirma Becker.
Para a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, a complexidade do sistema exige capacitação e integração entre diferentes áreas das administrações municipais. “Não se trata apenas de preencher um sistema. É um processo que envolve diagnóstico ambiental, planejamento estratégico e preparação das equipes municipais para atuar com base em dados e cenários de risco”, explica Léa. Segundo ela, o trabalho conduzido pela Câmara Setorial permite compartilhar conhecimento técnico e construir soluções regionais para desafios comuns.
A hora de planejar é agora, segundo o coordenador do setor de Meio Ambiente do município de Encruzilhada do Sul, Lucas Bonifácio Selbach. Ele reforçou a urgência do tema ao tratar das mudanças climáticas e seus impactos. “Esta é a última década para conseguirmos criar mecanismos de adaptação e resiliência. Depois dela, não será mais possível, pois os eventos extremos farão parte do cotidiano”, afirma Selbach.
Ainda no mesmo encontro, foi realizada a eleição da nova coordenação da Câmara Setorial de Meio Ambiente do Cisvale. O atual presidente, representante de Vera Cruz, Ricardo Konzen, foi reconduzido ao cargo, tendo eleito como vice-coordenador Vladmir Machado Panta, de Rio Pardo. A próxima reunião geral do grupo está agendada para o dia 9 de abril.