Cisvale mobiliza região para reforçar resposta ao El Niño

Consórcio aprova rateio para aquisição de materiais e equipamentos para equipar às Defesas Civis, avança na criação de registros de preços para compras emergenciais e consolida adesão dos municípios à Parceria Público-Privada para a gestão regional dos resíduos sólidos

Encruzilhada do Sul– A preparação dos municípios para enfrentar possíveis impactos de um novo ciclo do El Niño pautou a Assembleia Geral Ordinária do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), realizada nesta sexta-feira (17), em Encruzilhada do Sul, em conjunto com a Assembleia da Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp). Entre as principais deliberações, os prefeitos aprovaram um rateio com recursos do Fundo Permanente do Comitê Pró-Clima, abastecido com doações da iniciativa privada, destinado à aquisição de materiais e equipamentos para as Defesas Civis municipais. A medida permitirá que cada município disponha de recursos para fortalecer sua estrutura de resposta a situações de emergência. A pauta integra a estratégia regional de mitigação e preparação diante da possibilidade de novos eventos climáticos extremos.
O consórcio também avança na estruturação de um registro de preços regional para garantir maior agilidade em situações críticas. Além da licitação já em fase final para aquisição de equipamentos e materiais emergenciais. No próximo dia 31, o Cisvale realiza o pregão para registro de preços específico para materiais, equipamentos, permitindo que os municípios tenham acesso rápido a materiais e estruturas indispensáveis às ações de reconstrução e restabelecimento da infraestrutura pública após desastres naturais.
O presidente do Cisvale, prefeito Gilson Becker, destaca que o consórcio vem consolidando uma política regional permanente de prevenção e resposta. “Estamos deixando de agir apenas depois das tragédias para construir uma estrutura regional preparada para responder com rapidez quando for necessário. A união dos municípios permite ganhar escala, reduzir custos e oferecer mais segurança à população diante dos desafios climáticos que já fazem parte da nossa realidade”, afirma.
A diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, ressalta que a estratégia regional busca reduzir o tempo de resposta dos municípios nas primeiras horas após uma emergência. “O registro de preços é uma iniciativa do CISVALE que revela justamente atuação antecipada, planejamento e gestão de riscos, o que demonstra organização e prevenção aos eventos climáticos extremos”, complementa.

PPP regional dos resíduos sólidos

Outro avanço da assembleia foi a formalização da adesão de todos os municípios consorciados ao ofício de intenções para a estruturação da Parceria Público-Privada (PPP) regional voltada à gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos. A manifestação formal de interesse representa mais uma etapa na construção do projeto, que será desenvolvido em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e busca estruturar um modelo regional para ampliar a eficiência da destinação final dos resíduos, reduzir custos e oferecer soluções ambientalmente sustentáveis.
Também há possibilidade da adesão dos municípios integrantes do G8 – Vale do Taquari- à iniciativa, amplia o alcance da futura modelagem regional. Com isso, o Cisvale fortalece uma proposta construída de forma consorciada, capaz de atender um número ainda maior de municípios e consolidar uma política regional de longo prazo para a gestão dos resíduos sólidos, aliando sustentabilidade, eficiência e desenvolvimento regional.

Eventos extremos: Cisvale abre licitação para apoiar municípios

Entre os itens previstos estão lonas, caixas d’água, geradores de energia, cestas básicas, equipamentos de proteção individual, ferramentas e outros materiais apontados pelos municípios como prioritários para o atendimento de emergências

Santa Cruz do Sul – O Comitê Pró-Clima do Vale do Rio Pardo, vinculado ao Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), está estruturando uma Ata Regional de Registro de Preços para agilizar o acesso dos municípios a equipamentos, materiais e insumos necessários ao atendimento de situações de emergência e calamidade, considerando a possibilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos no segundo semestre. A iniciativa foi apresentada durante reunião realizada na manhã desta quinta-feira (9) e é resultado das demandas identificadas no diagnóstico das Defesas Civis municipais. A proposta busca reduzir o tempo de resposta dos municípios, permitindo maior agilidade na aquisição de itens essenciais em situações de desastre.

A ata contemplará quatro eixos de aquisição: resposta imediata, gestão hídrica, ajuda humanitária e equipamentos de proteção individual (EPIs) e ferramentas. Entre os itens previstos estão lonas, caixas d’água, geradores de energia, cestas básicas, equipamentos de proteção individual, ferramentas e outros materiais apontados pelos municípios como prioritários para o atendimento de emergências. Por meio desta ata de registro de preços será possível realizar compras dos itens necessários de maneira simplificada por parte dos municípios.

O modelo regional evita que cada administração precise abrir uma licitação individual em meio a uma situação de emergência. Com a ata de registro de preços, os municípios passam a contar com fornecedores previamente definidos e condições estabelecidas para aquisição dos materiais. A movimentação é resultado do levantamento realizado pelo Comitê Pró-Clima em conjunto com as Defesas Civis municipais.

Presidente do Cisvale, Gilson Becker destaca que a medida traduz o papel do consórcio na construção de soluções regionais para desafios que ultrapassam os limites de cada município. “O Pró-Clima nasce justamente com essa missão, que é transformar ações em execuções concretas. Quando falamos em eventos extremos, o tempo de resposta faz diferença. Se cada município tiver que começar um processo do zero no momento da emergência, a população fica mais vulnerável. Com a ata regional, nós antecipamos etapas, ganhamos agilidade e damos mais segurança para que as Defesas Civis possam atuar quando forem acionadas”, afirma Becker.

A diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, complementa que a compra coletiva integra um conjunto maior de ações voltadas ao fortalecimento das estruturas municipais de Defesa Civil. “O levantamento evidenciou que, entre as principais demandas dos municípios, estão a contratação de serviços de engenharia e a disponibilização de uma ata regional de registro de preços para aquisição de insumos e equipamentos.” Conforme a diretora, a compra coletiva é uma resposta prática, porque permite padronização, economia de escala e acesso mais rápido aos materiais. “O objetivo é que os municípios estejam mais preparados, tanto para agir de forma preventiva quanto para responder com rapidez em situações de emergência”, complementa Léa.

Municípios avaliam adesão a parceria para solução regional dos resíduos sólidos

Projeto construído ao longo de mais de uma década pelo Cisvale avança para uma nova etapa e poderá resultar na estruturação de uma parceria público-privada para a gestão regional dos resíduos sólidos

Santa Cruz do Sul – A busca por uma solução regional para a gestão dos resíduos sólidos entrou em uma nova fase nesta segunda-feira, 22, durante assembleia promovida pelo Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale). O encontro reuniu representantes dos 25 municípios consorciados, integrantes do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado (TCE) para discutir os próximos passos de um projeto construído pelo consórcio desde 2013 e que poderá culminar na estruturação de uma parceria público-privada (PPP) para o setor. A iniciativa está diretamente relacionada ao Plano Regional de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e aos estudos técnicos que vêm sendo atualizados pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), responsáveis por apontar a necessidade de uma solução conjunta para enfrentar um dos maiores desafios ambientais e sanitários da região.

Durante a assembleia, o presidente do Cisvale, Gilson Becker, destacou que a região chega a um momento decisivo após anos de planejamento, diagnósticos e construção técnica. Conforme ele, a eventual adesão ao programa de estruturação exigirá o compromisso formal dos municípios participantes, incluindo a manifestação dos prefeitos e posterior aprovação pelas câmaras de vereadores. Gilson observou que o tema vem sendo debatido há mais de uma década e que os estudos realizados demonstram a necessidade de uma alternativa regional para garantir eficiência, sustentabilidade ambiental e segurança jurídica ao processo. “Caso definirmos avançar nesta linha da parceria público-privada, teremos que passar o projeto pelas câmaras de vereadores de nossos municípios”, afirma. Ao final do encontro, o encaminhamento definido foi que os municípios, tanto do Vale do Rio Pardo quanto do G8, realizem suas avaliações internas para que pudessem informar formalmente a adesão ou não à proposta até o dia 10 de julho, permitindo a continuidade da estruturação ainda durante o atual mandato dos prefeitos.

Representando o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, o diretor do Departamento de Parcerias com o Setor Privado, Denilson Campelo, destacou a qualidade técnica da proposta construída pelo Cisvale. Segundo ele, poucos projetos apresentados ao Governo Federal apresentam o grau de maturidade encontrado na região. “O projeto aqui apresentado é muito robusto e é um dos melhores que já vimos, até porque também está sendo conduzido em parceria com a universidade e a comunidade”, afirma. Campelo ressaltou ainda que a gestão adequada dos resíduos sólidos possui reflexos diretos sobre a saúde pública. “Trabalhar com resíduos sólidos é trabalhar com a saúde, pois há uma série de doenças que um aterro sanitário que não é cuidado tem efeito nocivo no meio ambiente e na vida das pessoas”, observa.

O promotor de Justiça de Santa Cruz do Sul, Érico Barin, reforçou a relevância do debate ao destacar que o tema precisa permanecer permanentemente na agenda pública. Para ele, a destinação correta dos resíduos sólidos envolve questões ambientais, econômicas e de qualidade de vida para as futuras gerações. “Este tipo de fala precisaria ser gravada e repetida de tempos em tempos, para que todos nós lembremos da importância deste assunto”, pontua. O encontro também contou com a participação de representantes do Tribunal de Contas do Estado, que acompanham a construção do modelo e os procedimentos necessários para garantir a legalidade e a segurança da futura contratação. A diretora executiva do Cisvale Léa Vargas relembrou que o debate regional teve origem em deliberações realizadas ainda em 2013, quando conferências municipais apontaram a necessidade de um planejamento integrado para o setor. A partir disso, o consórcio estruturou estudos que resultaram, em 2018, em um amplo diagnóstico envolvendo 16 municípios. Mais recentemente, foram iniciados os trabalhos de atualização dos planos municipais de saneamento e dos diagnósticos socioambientais, executados pela Unisc.

Como funciona as PPPs

A proposta apresentada pelo Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional integra o Programa Parcerias Brasil, criado para apoiar estados, municípios e consórcios na estruturação de projetos de concessões e parcerias público-privadas. O modelo prevê uma etapa inicial de cadastramento e pré-análise da demanda, seguida pela avaliação técnica de um fundo especializado responsável pela estruturação dos estudos. Após essa fase, o projeto passa por auditoria dos órgãos de controle, incluindo Tribunal de Contas da União, Ministério Público e tribunais de contas competentes, antes de ser encaminhado para licitação na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo o coordenador nacional do programa, Washington Soares, o fundo conta com aproximadamente R$ 1,3 bilhão para viabilizar projetos de infraestrutura em todo o país e foi criado justamente para reduzir os riscos de desistência durante a fase de elaboração dos estudos.

Necessidade de solução regional

Os estudos técnicos apresentados pela Unisc reforçam a dimensão do desafio enfrentado pelos municípios. O diagnóstico realizado em 16 municípios da região identificou uma população de mais de 381 mil habitantes, com geração anual superior a 78 mil toneladas de resíduos sólidos e custos que ultrapassam R$ 41 milhões por ano para destinação final dos materiais. O levantamento também apontou potencial significativo para ampliação da reciclagem, da compostagem e da valorização dos resíduos, reduzindo o volume destinado a aterros sanitários e aumentando a eficiência do sistema regional.

Compostagem integra Agenda Ambiental 2030

Paralelamente à discussão sobre a parceria público-privada, o Cisvale também trabalha na ampliação de iniciativas voltadas à redução dos resíduos na origem. Uma das propostas em desenvolvimento é o programa “Composteiras Amigas do Meio Ambiente”, previsto na Agenda Ambiental 2030 do consórcio. O projeto busca estimular a compostagem em escolas e residências, promovendo educação ambiental, reaproveitamento da matéria orgânica e redução do volume encaminhado aos aterros sanitários. A iniciativa tem inspiração em experiências já desenvolvidas na região e está alinhada às estratégias de economia circular, mitigação das mudanças climáticas e diminuição dos custos com a gestão dos resíduos sólidos. “Há, pelo menos,duas formas do Consórcio participar. Uma por meio do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos (Sinir) – lei de incentivo à reciclagem. Já a segunda forma pode se dar por meio do edital do Ministério Público, do Fundo para Recuperação de Bens Lesados (FRBL)”, esclarece a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas.Conforme ela, o projeto da ]compostagem deve se retornar uma política permanente do consórcio, com possibilidade, inclusive, de financiamento privado.

Cisvale apresenta demanda de R$ 12,8 milhões para ampliar atendimentos de alta complexidade

Documento entregue ao senador reúne pleitos para ampliar o Teto MAC, fortalecer hospitais de referência e qualificar os atendimentos especializados da região; prefeitos e lideranças de entidades ligadas à área da saúde participaram encontro

Santa Cruz do Sul – A ampliação dos recursos destinados à saúde especializada esteve no centro de uma mobilização regional liderada pelo Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale). Durante encontro realizado nesta quinta-feira, 18, com o senador Hamilton Mourão, a entidade apresentou um documento reunindo demandas consideradas prioritárias para a qualificação dos atendimentos de Média e Alta Complexidade (MAC), o fortalecimento dos hospitais de referência e a ampliação da capacidade assistencial da região.

Recepcionado pelo presidente do Cisvale, Gilson Becker, o senador conheceu os principais desafios enfrentados pelos municípios na área da saúde. O encontro contou ainda com a presença de representantes da 8ª Coordenadoria Regional de Saúde, do Governo do Estado, do vice-presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp) e prefeito de Rio Pardo, Rogério Monteiro, além de gestores municipais, lideranças hospitalares e representantes de entidades regionais.

O principal pleito apresentado refere-se à ampliação do Teto de Média e Alta Complexidade (MAC), mecanismo por meio do qual o Ministério da Saúde financia procedimentos especializados realizados pelos hospitais e serviços de referência do Sistema Único de Saúde (SUS). O recurso é utilizado para custear consultas especializadas, exames, internações, cirurgias e demais atendimentos de maior complexidade. Segundo o Cisvale, os valores atualmente repassados não acompanham a demanda regional, exigindo complementação financeira por parte dos municípios e das instituições de saúde.

O documento entregue ao senador solicita apoio institucional junto ao Ministério da Saúde para viabilizar a ampliação desses recursos. Para Santa Cruz do Sul, o pedido formal prevê incremento anual de R$ 8.606.222,81, especialmente para ampliar a realização de cirurgias eletivas nas áreas de traumatologia e ortopedia, que concentram uma fila regional superior a 1,3 mil pacientes. Já Venâncio Aires busca a incorporação mensal de R$ 350 mil ao financiamento federal destinado aos atendimentos de média e alta complexidade. Somados, os pleitos representam aproximadamente R$ 12,8 milhões por ano para a região.

Além das demandas relacionadas ao financiamento da saúde, os hospitais Ana Nery e Santa Cruz, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Santa Cruz do Sul e outras instituições apresentaram projetos e necessidades voltadas à ampliação dos serviços prestados à população. O Centro Regional de Atendimento ao Transtorno do Espectro do Autismo (Centro TEA), do Cisvale, também solicitou apoio para a aquisição de um veículo destinado ao deslocamento das equipes e ao atendimento dos municípios abrangidos pelo serviço. A manifestação foi entregue por meio de ofício dirigido ao senador.

Durante sua manifestação, Mourão elogiou a atuação regional construída por meio do consórcio e destacou que a união entre os municípios fortalece a capacidade de acesso a serviços qualificados e investimentos públicos. “Muito me orgulha ver que a região trabalha de forma consorciada. É justamente pela união de esforços que se consegue ampliar o acesso da população a serviços cada vez mais qualificados”, afirmou. O senador também ressaltou que já destinou mais de R$ 12 milhões em emendas parlamentares para a região durante seu mandato e colocou seu gabinete à disposição para acompanhar os pleitos apresentados.

O presidente do Cisvale, Gilson Becker, destacou que a ampliação do Teto MAC representa uma das principais demandas da saúde regional na atualidade. Segundo ele, os hospitais e serviços especializados atendem pacientes de dezenas de municípios e necessitam de um financiamento compatível com a produção efetivamente realizada para garantir a sustentabilidade dos atendimentos e ampliar o acesso da população aos procedimentos especializados. “Estamos tratando de uma necessidade regional. Os municípios, os hospitais e as instituições estão mobilizados para garantir que a população tenha acesso aos serviços que precisa, com qualidade e no tempo adequado”, enfatizou.

Filas cirúrgicas

O vereador e ex-secretário municipal de Saúde de Santa Cruz do Sul, Rodrigo Rabuske, observou durante o encontro que a região necessita de aproximadamente R$ 20 milhões para avançar de forma significativa na redução das filas de espera por cirurgias eletivas. Conforme ele, o volume de recursos é considerado necessário para ampliar a capacidade de realização dos procedimentos e acelerar o atendimento da demanda acumulada nos hospitais de referência da região.

Cisvale traz Governo Federal para discutir projetos de parcerias público-privadas

Assembleia conjunta com a Amvarp definiu encontro técnico com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, debateu ações de saneamento e avançou em medidas de prevenção a eventos climáticos extremos

Vera Cruz – A articulação de novos investimentos para os municípios por meio de parcerias público-privadas (PPPs) foi um dos principais encaminhamentos da assembleia conjunta do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) e da Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp), realizada na quarta-feira, 3, em Vera Cruz, antes da abertura oficial da 16ª Feira da Produção. O encontro definiu para o dia 22 de junho, a partir das 9 horas, uma agenda regional com a equipe técnica do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), que apresentará aos gestores públicos alternativas para viabilizar projetos estruturantes por meio de investimentos da iniciativa privada.

O presidente do Cisvale, prefeito Gilson Becker, destacou que a iniciativa aproxima os municípios de uma das mais modernas ferramentas de gestão pública disponíveis atualmente. Segundo ele, a agenda permitirá conhecer experiências, esclarecer dúvidas e avaliar oportunidades para acelerar investimentos em áreas estratégicas. “As parcerias público-privadas representam uma importante alternativa para ampliar a capacidade de investimento dos municípios. Estamos trazendo essa discussão para a região porque ela pode abrir novos caminhos para a realização de projetos que impactam diretamente a qualidade de vida da população e o desenvolvimento regional”, afirma.

Outro tema relevante da assembleia foi o cronograma de audiências públicas do Plano Municipal de Saneamento Básico e do Diagnóstico Socioambiental, que ocorrerão nas próximas semanas em Encruzilhada do Sul, Sinimbu, General Câmara e Mato Leitão. Os encontros integram o processo de planejamento regional voltado à gestão ambiental, ao saneamento e à adaptação climática. Os prefeitos também aprovaram o Programa Regional de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) 2026, que prevê investimentos na proteção de nascentes e áreas ripárias, fortalecendo a segurança hídrica e a preservação dos recursos naturais do Vale do Rio Pardo.

Na área da saúde, os gestores confirmaram a realização de uma reunião regional com representantes dos hospitais, Apaes e municípios, marcada para o dia 18 de junho, na sede do Cisvale, com a participação do senador Hamilton Mourão. A assembleia também aprovou a implantação do Programa Papel Zero, que estabelece a adoção do processo administrativo eletrônico no âmbito do consórcio. A diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, ressaltou que a iniciativa reforça o compromisso da entidade com a modernização da gestão pública. “O Programa Papel Zero representa mais agilidade, transparência e sustentabilidade para os municípios. Estamos avançando para uma gestão cada vez mais eficiente e alinhada às boas práticas de governança”, destaca.

Alerta climático

A possibilidade de formação de um novo episódio do fenômeno El Niño também foi debatida pelos gestores durante a assembleia. O tema foi apresentado pelo prefeito de Marques de Souza, Fábio Alex Mertz, que relatou a preocupação compartilhada por municípios de diferentes regiões do Estado diante das projeções climáticas para os próximos meses e dos impactos que eventos extremos podem provocar sobre a infraestrutura, a agricultura e os serviços públicos.

Segundo Mertz, o momento exige antecipação e alinhamento entre os municípios e o Governo do Estado. “As informações que recebemos indicam um cenário que merece atenção. Precisamos estar preparados e agir de forma coordenada para reduzir riscos e fortalecer a capacidade de resposta dos municípios”, afirma. Como encaminhamento, os prefeitos discutiram a construção de um decreto regional de alerta climático, em conjunto com o Governo do Estado, buscando ampliar a preparação das administrações municipais diante dos cenários projetados para o segundo semestre.

Cisvale abre credenciamento para atender demanda regional de engenharia

Chamamento busca empresas especializadas para prestar serviços de engenharia, arquitetura e topografia aos 25 municípios consorciados, ampliando a capacidade técnica para elaboração de projetos, obras e ações de infraestrutura pública

Santa Cruz do Sul – O Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) abriu o processo de credenciamento de empresas especializadas para a prestação de serviços técnicos nas áreas de engenharia, arquitetura e topografia. A iniciativa contempla os 25 municípios consorciados e busca ampliar a capacidade de atendimento das administrações municipais em demandas que historicamente enfrentam limitações de estrutura técnica e disponibilidade de profissionais qualificados.

O edital prevê o credenciamento de pessoas jurídicas para atuação em 13 áreas técnicas, incluindo engenharia civil, ambiental, elétrica, de tráfego, segurança do trabalho, agrimensura, arquitetura e urbanismo, entre outras especialidades. As empresas credenciadas poderão prestar serviços como elaboração de projetos, fiscalização de obras, laudos técnicos, estudos de viabilidade, regularização fundiária, planejamento urbano, mobilidade, saneamento e licenciamento ambiental, conforme a necessidade dos municípios participantes. Por meio da ação, além de tornar mais acessível os serviços, os 25 municípios consorciados terão maior facilidade na contratação nestas áreas técnicas.

A diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, destaca que a medida responde a uma demanda recorrente das administrações municipais, sendo um dos gargalos das administrações públicas. “Muitos municípios enfrentam dificuldades para manter equipes técnicas completas ou contratar profissionais especializados para demandas específicas. Este credenciamento cria uma alternativa ágil e segura para garantir suporte técnico qualificado em áreas fundamentais para o desenvolvimento local”, afirma.

Além de ampliar o acesso dos municípios a profissionais habilitados, o modelo também cria oportunidades para empresas de engenharia, arquitetura e topografia que desejam atuar junto ao poder público regional. O credenciamento permanecerá aberto durante a vigência do edital, permitindo o ingresso contínuo de novos prestadores que atendam aos requisitos técnicos e legais estabelecidos pelo Consórcio. “Estamos estruturando uma solução que beneficia os dois lados. Os municípios passam a contar com uma rede qualificada de atendimento técnico e as empresas encontram uma porta de entrada para atuar em diferentes regiões por meio de um processo único de credenciamento. Isso traz mais eficiência, agilidade e segurança para todos os envolvidos”, observa Léa.

As empresas interessadas podem consultar o edital completo e encaminhar a documentação de credenciamento junto ao Cisvale, ou pelo site do consórcio, no www.cisvalerp.com.br. O chamamento contempla atendimento regionalizado por microrregiões e terá vigência inicial de 12 meses. O presidente do Cisvale, Gilson Becker, ressalta que a iniciativa fortalece a capacidade de planejamento e execução dos municípios. “Estamos criando uma estrutura regional capaz de conectar os municípios a profissionais e empresas especializadas, ampliando a capacidade técnica para desenvolver projetos, captar recursos e transformar demandas em investimentos concretos. É uma ferramenta importante para qualificar a gestão pública e acelerar entregas que impactam diretamente a população”, destaca Becker.

Cisvale estrutura compras emergenciais regionais para resposta a enchentes

Assembleia realizada em Venâncio Aires, durante a 18ª Fenachim, debateu mecanismos regionais para agilizar respostas em situações de calamidade, além de pautas ligadas à saúde, engenharia, adaptação climática e gestão ambiental compartilhada

Venâncio Aires – A Assembleia Geral Ordinária do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), realizada nesta sexta-feira, 8, durante a programação da 18ª Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim), em Venâncio Aires, reforçou o movimento regional de estruturação compartilhada entre os municípios diante de desafios ligados à saúde pública, infraestrutura, adaptação climática e resposta a eventos extremos. Promovido em parceria com a Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp) e a Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), o encontro reuniu prefeitos, lideranças regionais e equipes técnicas para discutir soluções conjuntas voltadas à ampliação da capacidade operacional das administrações municipais.

Entre os principais encaminhamentos debatidos esteve a criação de atas de registro de preços para aquisição emergencial de kits destinados a situações de calamidade. A proposta prevê a organização regional de itens divididos em três frentes de resposta, emergencial, humanitária e hídrica, permitindo que os municípios tenham mais agilidade nos processos de compra em momentos de crise. Conforme o presidente do Cisvale, Gilson Becker, a medida busca reduzir burocracias justamente nos períodos em que a velocidade das respostas se torna determinante. “Estamos trabalhando para que os municípios tenham instrumentos preparados antes das emergências acontecerem. Isso dá mais eficiência operacional e melhora a capacidade de resposta das administrações locais”, destacou Becker.

A assembleia também deliberou sobre outras medidas voltadas ao fortalecimento da atuação consorciada. Na área da saúde, foi aprovada a construção de uma tabela regional para procedimentos cirúrgicos, utilizando como referência os menores valores apresentados no processo de composição de custos. A proposta prevê o credenciamento de hospitais interessados em absorver a demanda regional, especialmente em cirurgias de quadril e joelho. Outro ponto debatido foi a elaboração de edital regional para serviços técnicos de arquitetura, agrimensura e diversos serviços nas áreas da engenharia. A metodologia utilizada foi construída por meio do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), somada a orçamentos de municípios e consórcios públicos, com acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS).

Segundo a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, a construção destes mecanismos regionais representa uma estratégia importante para dar suporte técnico e operacional aos municípios, especialmente aos de menor porte. “O consórcio vem assumindo um papel de apoio permanente às administrações municipais, criando ferramentas que tragam mais segurança, economicidade e eficiência para os gestores públicos”, salientou Léa. O encontro também debateu ações ligadas ao Programa AdaptaCidades, para o qual foi solicitada a criação de uma governança, com a adesão de membros dos municípios, para que então a região do Vale do Rio Pardo entre na segunda fase do programa, chamada “lente climática” para levantamento de dados ambientais e estruturais dos municípios, além da discussão sobre futuras parcerias público-privadas voltadas à gestão regional de resíduos sólidos.

Prorrogação do Funrigs

O segundo momento da assembleia foi marcado pela participação do vice-governador do Estado, Gabriel Souza, que acompanhou a apresentação das ações do Comitê Pró-Clima, conduzida pelo presidente do Cisvale, Gilson Becker. Durante sua manifestação, o chefe do Executivo estadual em exercício defendeu a prorrogação do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), especialmente para garantir investimentos estruturantes em irrigação, recuperação e manejo dos solos. Segundo ele, o atual cenário ainda exige continuidade das políticas públicas de reconstrução e adaptação climática no Estado. “Estamos pedindo a prorrogação do Funrigs porque estamos fechando dois anos de uso e ainda há muito a ser feito, especialmente para trabalharmos com irrigação e manejo dos solos”, afirmou Gabriel.

O vice-governador também ressaltou que os recursos destinados ao Rio Grande do Sul permitiram a execução de obras consideradas históricas e estruturantes. “A maior obra monumental que estamos realizando é a Ponte dos Vales”, salientou. Gabriel ainda enfatizou que os R$ 14,3 bilhões destinados ao Estado demonstram a importância da revisão do modelo de endividamento gaúcho junto à União. “Isso mostra o quanto ainda há para fazer com os recursos que hoje vão para Brasília para pagamento de dívidas”, observou.

Na sequência, Becker apresentou o panorama das ações já executadas pelo Comitê Pró-Clima, criado sob coordenação do Cisvale em parceria com Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Conselho Regional de Desenvolvimento do Vale do Rio Pardo (Corede-VRP), universidades, órgãos técnicos e municípios da região. Entre os projetos detalhados estiveram a implantação de estações meteorológicas, aquisição de embarcações para ações de resposta e salvamento, criação do Fundo Permanente do Meio Ambiente, estudos de modelagem hidrológica, monitoramento de bacias hidrográficas e projetos de macrodrenagem urbana. O conjunto de propostas pré-aprovadas no Plano Rio Grande soma cerca de R$ 79 milhões em investimentos previstos para a região.

Conforme Becker, a consolidação do Pró-Clima representa uma mudança estrutural na forma como os municípios passam a planejar o futuro regional. Segundo ele, a lógica da prevenção, da adaptação e da resiliência climática tornou-se indispensável para garantir segurança, desenvolvimento e capacidade de captação de recursos. “A região compreendeu que a resiliência climática deixou de ser apenas um debate ambiental e passou a ser uma pauta de sobrevivência econômica, social e estrutural dos municípios”, destacou Becker.

Cisvale inicia audiências públicas do DSA e Planos de Saneamento

Processo conduzido elaborado pela Unisc entra em etapa decisiva com escuta da comunidade; cronograma inicia por Venâncio Aires e contempla diferentes municípios consorciados nesta primeira fase

Santa Cruz do Sul – Os municípios consorciados do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) iniciam, nesta semana, uma nova etapa no processo de atualização dos Planos Municipais de Saneamento Básico e na construção do Diagnóstico Socioambiental (DSA) dos municípios consorciados. A realização das audiências públicas marca o avanço do trabalho técnico conduzido pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), consolidando um momento essencial de escuta, validação e participação da comunidade nos encaminhamentos que irão orientar o planejamento dos serviços nos próximos anos.

A primeira audiência ocorre nesta quarta-feira, 22 de abril, em Venâncio Aires, abrindo uma agenda regional que contempla (veja abaixo), neste primeiro ciclo, diferentes municípios do consórcio. Os encontros seguem um modelo estruturado, com apresentação dos conteúdos técnicos elaborados, espaço para manifestações da comunidade e registro formal das contribuições, que passam a integrar os relatórios finais do processo. Conforme a metodologia adotada, serão abordados os eixos de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e drenagem urbana, além da apresentação do Diagnóstico Socioambiental, instrumento complementar que amplia a leitura territorial e ambiental dos municípios.

A diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, destaca que esta etapa reforça o compromisso com a construção técnica aliada à participação social. “As audiências públicas são fundamentais para qualificar o trabalho desenvolvido até aqui, garantindo que os planos reflitam a realidade de cada município e contem com a contribuição direta da comunidade”, afirma. Segundo ela, o processo segue de forma organizada e por etapas, respeitando o andamento individual de cada município dentro do conjunto de ações coordenadas pelo consórcio.

Para o presidente do Cisvale, Gilson Becker, o avanço do número de municípios envolvidos demonstra a consolidação do modelo regional de planejamento. Conforme ele, o processo de atualização e planejamento é essencial para o planejamento e o futuro dos municípios da região. “Estamos construindo um processo consistente, que une conhecimento técnico, gestão compartilhada e participação da população. Isso fortalece os municípios e garante instrumentos mais eficazes para o desenvolvimento sustentável”, destaca. Becker reforça que esta fase representa um momento estratégico dentro de um trabalho mais amplo, que seguirá com novas etapas até a conclusão dos documentos finais.

Cronograma do primeiro ciclo de audiências

Venâncio Aires

22 de abril; 13h30min às 16h30min; Secretaria Municipal de Educação;

Herveiras

23 de abril; 8h30min às 11h30min; Câmara de Vereadores;

Vale do Sol

23 de abril; 13h30min às 16h30min; Câmara de Vereadores;

Pantano Grande

28 de abril; 8h30min às 11h30min; Câmara de Vereadores;

Vale Verde

29 de abril; 8h30min às 11h30min; Câmara de Vereadores;

Passo do Sobrado

29 de abril; 13h30min às 16h30min; Câmara de Vereadores;

Gramado Xavier

30 de abril; 13h30min às 16h30min; Câmara de Vereadores;

Boqueirão do Leão

30 de abril; 8h30min às 11h30min; Prefeitura Municipal.

Comitê Pró-Clima organiza levantamento de necessidades nos municípios

Grupo técnico indicado pelo Comitê Pró-Clima do Cisvale inicia diagnóstico das Defesas Civis; levantamento vai orientar capacitações e ações integradas na região

Santa Cruz do Sul – O Comitê Pró-Clima do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) deu início a uma nova etapa de organização da atuação regional em gestão de riscos climáticos, com a realização de uma reunião técnica voltada à identificação de necessidades e fragilidades das Defesas Civis municipais. No último encontro, que reuniu profissionais indicados pelo grupo para estruturar um diagnóstico, foi determinada a necessidade de um levantamento que servirá de base para ações de capacitação e fortalecimento institucional.

A estrutura e o papel das Defesas Civis nos municípios estiveram entre os primeiros pontos abordados. O coordenador da Defesa Civil de Rio Pardo, tenente Dimas Gottardo, destacou a importância da organização permanente das equipes locais. “É fundamental que a Defesa Civil esteja estruturada e preparada nos municípios, com capacidade técnica e organização para atuar de forma contínua”, afirma. Segundo ele, o fortalecimento institucional é determinante para qualificar a resposta diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes.

O grupo técnico ainda definiu sobre a aplicação de um questionário junto aos municípios, com o objetivo de mapear as principais demandas operacionais, estruturais e técnicas das equipes locais. A iniciativa busca consolidar um panorama regional que permita ao Cisvale atuar de forma mais estratégica no apoio às Defesas Civis, tanto na qualificação profissional quanto na organização de respostas a eventos extremos. Outro ponto tratado foi a elaboração de atas de registro de preços para aquisição de materiais utilizados em situações de emergência, como telhas, lonas e insumos básicos. A medida pretende dar mais agilidade aos municípios em momentos de crise, além de possibilitar ganho de escala e economia na contratação desses itens essenciais.

A diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, ressalta que o trabalho técnico é fundamental para consolidar uma atuação mais integrada entre os municípios. “Estamos estruturando um processo que parte do diagnóstico real das Defesas Civis, identificando onde estão as principais necessidades para, a partir disso, avançar com capacitações e soluções conjuntas”, afirma. Segundo Léa, a organização regional também contribui para fortalecer o papel das Defesas Civis como áreas estratégicas dentro das administrações municipais. O próximo passo do grupo será a consolidação dos dados levantados junto aos municípios, orientando a definição de ações práticas voltadas à ampliação da capacidade de prevenção, monitoramento e resposta da região.

Uso de dados confiáveis

A qualificação das informações utilizadas no monitoramento climático também integrou a pauta do encontro, diante do aumento no número de plataformas e previsões disponíveis. Para o coordenador da Defesa Civil de Rio Pardo, tenente Dimas Gottardo, o cenário exige atenção por parte dos gestores e das equipes técnicas. “Hoje existe uma grande oferta de previsões, mas nem todas têm base técnica confiável. É fundamental que a população e os gestores acompanhem as informações oficiais, que são construídas a partir de dados seguros e monitoramento qualificado”, afirma.

Segundo o tenente, o uso adequado dessas informações impacta diretamente na atuação das Defesas Civis. “A tomada de decisão precisa estar baseada em dados consistentes, porque isso influencia desde a prevenção até a resposta em situações de emergência”, complementa, ao destacar que tanto a população, quanto os órgãos e entidades governamentais precisam guiar-se pelos canais oficiais da Defesa Civil do Estado.

Cisvale e Estado dão partida à construção de plano regional de adaptação climática

Encontro com municípios, Estado e Tribunal de Contas marca início da governança do AdaptaCidades; região avança na estruturação de plano com horizonte até março de 2027

Santa Cruz do Sul – O Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) iniciou a construção de um plano regional de adaptação às mudanças climáticas, reunindo secretários municipais de Meio Ambiente, coordenadores e agentes da Defesa Civil, representantes do governo do Estado e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS). O encontro ocorreu no Auditório II da Faculdade Dom Alberto, em Santa Cruz do Sul, sob coordenação da Câmara Setorial de Meio Ambiente do consórcio, marcando o primeiro passo institucional para a estruturação da governança regional dentro da iniciativa AdaptaCidades.

A iniciativa, conduzida em nível federal, prevista pelo programa AdaptaCidades, busca fortalecer as políticas públicas de adaptação climática por meio da integração entre União, estados e municípios, com apoio técnico para elaboração de planos regionais e municipais. No Rio Grande do Sul, o modelo foi ampliado para alcançar 139 municípios organizados em associações e consórcios, entre eles o Cisvale, que integra a iniciativa e atua na articulação regional para a construção de um plano alinhado às diretrizes nacionais e estaduais.

A metodologia apresentada prevê oito etapas estruturadas, iniciando pela formação da governança, eixo central debatido neste primeiro encontro. O processo envolve a definição de pontos focais nos municípios, a integração de diferentes áreas da gestão pública e a participação da sociedade civil, além da organização de entregas técnicas e validações ao longo do cronograma. A proposta estabelece uma lógica de atuação contínua, baseada em dados, análise de risco e priorização de medidas.

A diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, contextualiza o papel do consórcio na condução regional do processo. Ela afirma. “Estamos estruturando um modelo de atuação conjunta entre os municípios, com base técnica e planejamento, que permite avançar de forma coordenada na agenda climática.” Segundo Léa, a iniciativa se conecta diretamente com as ações do Comitê Pró-Clima, especialmente no eixo de resiliência e gestão de riscos.

A assessora técnica do programa no Estado, Lucie Duez, apresenta a metodologia e os instrumentos disponíveis para os municípios. Ela afirma. “O AdaptaCidades promove uma governança multinível e fortalece a capacidade institucional dos territórios para planejar e implementar ações de adaptação.” Conforme a especialista, a padronização metodológica e a integração entre políticas públicas ampliam o acesso a recursos e qualificam o planejamento local.

Durante o encontro, o auditor do TCE-RS, Leonardo Azevedo, contextualiza o papel do Tribunal de Contas do Estado como órgão responsável pela fiscalização e controle externo dos municípios, especialmente no acompanhamento da correta aplicação de recursos públicos e da prestação de contas. Ele afirma. “O Tribunal irá acompanhar e cobrar a adoção das ferramentas e a adequação dos municípios às exigências de planejamento climático.” Segundo Azevedo, a atuação do TCE também estará voltada à verificação das ações relacionadas aos eventos climáticos, com atenção aos instrumentos de planejamento, execução e transparência das medidas adotadas pelos municípios.

Novo plano em 2027

Com cronograma estabelecido até março de 2027, o plano regional deverá consolidar diagnóstico de riscos, definição de medidas e estratégias de implementação, monitoramento e comunicação. A construção coletiva, ancorada no conceito de governança, posiciona o Vale do Rio Pardo em uma agenda que integra mitigação, adaptação e resiliência, alinhando o planejamento regional às diretrizes de sustentabilidade. Para a assessora técnica do programa no Estado, a continuidade do processo ao longo das próximas etapas. “A construção deste plano exige comprometimento técnico e institucional permanente. É um processo que fortalece a governança e prepara os territórios para enfrentar os impactos climáticos com mais segurança e planejamento”, reforça Lucie.