IBGE lança no Cisvale estudo inédito sobre as enchentes de 2024

Estudo começa na próxima semana com fase de testes que inclui mil entrevistas em domicílios de diferentes regiões do Estado

Santa Cruz do Sul – O Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) foi o local escolhido para o lançamento nacional de uma das pesquisas mais relevantes já desenvolvidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento vai medir os impactos socioeconômicos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e teve sua apresentação oficial realizada nesta quarta-feira, em Santa Cruz do Sul.

A coordenadora do estudo, Juliana Paiva Vasconcellos, explicou que esta é a primeira vez que o Instituto desenvolve um projeto voltado exclusivamente para os efeitos de desastres ambientais. “Queremos compreender o que mudou na vida das pessoas após as enchentes: como elas estão vivendo, quais as perdas materiais, os impactos na saúde e na estrutura das famílias”, afirma. A metodologia segue diretrizes internacionais e foi construída com base em experiências globais que visam auxiliar a formulação de políticas públicas de prevenção e resposta a eventos extremos.

A fase de testes terá início já na próxima segunda-feira e seguirá por 15 dias. Serão mil entrevistas por telefone com moradores do Estado. Dessas, 500 ocorrerão no Vale do Rio Pardo, região priorizada por conta da intensidade dos danos registrados. As outras 500 serão realizadas em áreas igualmente atingidas, como o Vale do Taquari e a capital Porto Alegre.

O presidente do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), Gilson Becker, afirmou que a decisão do Instituto de lançar a pesquisa na sede do Consórcio reconhece o trabalho realizado durante e após as enchentes. “É mais uma vez o Cisvale sendo protagonista, e isso se deve ao trabalho que realizamos, inclusive com a criação do Comitê Pró-Clima. Esses dados atualizados serão fundamentais para a elaboração de projetos e a definição de investimentos, para que possamos construir caminhos mais seguros para nossos municípios”, avalia.

Também participaram do lançamento representantes dos municípios de Vera Cruz, Candelária e Sinimbu, além da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), reforçando o envolvimento regional na construção de soluções baseadas em dados e na colaboração entre diferentes setores.

Como será a pesquisa

A aplicação será feita pelo Centro de Entrevista Telefônica Assistida por Computador (Cetac), de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. As ligações são gravadas. Para esclarecer dúvidas, o IBGE coloca a opção de e-mail e outros canais de comunicação para esta finalidade. O IBGE utilizará essa estrutura para garantir agilidade, segurança e confiabilidade na coleta de dados, sendo que as ligações serão originadas pelo número (21) 2142-0123.

Os entrevistados responderão a perguntas sobre perdas de imóveis, interrupções na vida pessoal, condições atuais dos domicílios, impactos na saúde física e mental, e ações de recuperação. A ideia é construir um retrato estatístico e social dos efeitos das enchentes entre abril e maio deste ano.

A partir de 15 de setembro, o estudo entra em sua etapa principal: serão 15 mil entrevistas em domicílios de todo o Rio Grande do Sul, com coleta de dados até 15 de dezembro. A divulgação oficial dos resultados está prevista para março de 2026.

Para Juliana Paiva Vasconcellos, do IBGE, a escolha de Santa Cruz do Sul e do Cisvale reforça a importância da região na agenda de reconstrução. “É simbólico estarmos aqui para esse lançamento. O Vale foi muito afetado, mas também mostrou uma capacidade de organização que faz a diferença na resposta aos desastres”, destaca a coordenadora.

Sicredi oficializa doação das estações meteorológicas ao Cisvale

Ato ocorreu durante a assembleia de prefeitos em Vera Cruz e reforça estrutura do Comitê Pró-Clima

Vera Cruz – A assembleia de prefeitos do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), realizada nesta quarta-feira (18), em Vera Cruz, marcou a oficialização da doação de seis estações meteorológicas ao Comitê Pró-Clima. A iniciativa do Sicredi Vale do Rio Pardo fortalece as ações de prevenção e adaptação às mudanças climáticas na região.

O termo de doação foi assinado pelo presidente do Sicredi, Heitor Petry, pelo presidente do Cisvale, Gilson Becker, e pelo presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp), Nestor Ellwanger. O gesto simboliza a união entre cooperativa e gestores públicos em prol da proteção das comunidades.

As estações meteorológicas integram o conjunto de projetos do Comitê Pró-Clima, que atua em quatro eixos estratégicos. Os equipamentos permitem a coleta de dados em tempo real, fundamentais para o monitoramento de eventos extremos e a tomada de decisões nas áreas de risco.

Durante a assembleia, a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, apresentou ainda o projeto de instalação de sensores de nível hidrológico em municípios da região, em diálogo com o programa estadual que prevê a instalação de 130 sensores no Rio Grande do Sul.

Barcos darão suporte à Defesa Civil

A reunião também oficializou a compra de sete barcos rígidos, com recursos doados pela empresa JTI. Os equipamentos serão destinados aos municípios com Corpo de Bombeiros e vão reforçar as ações da Defesa Civil. Candelária, Encruzilhada do Sul, Passo do Sobrado, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Vera Cruz serão contemplados. A medida amplia a capacidade de resgate e resposta rápida em situações de emergência.

Além da compra dos barcos, o consórcio apresentou a proposta que foi aprovada para a contratação de horas-máquinas para execução de serviços de obras e pavimentação, assim como recuperação de acessos em arroios e estradas vicinais.  “Por meio deste edital que será elaborado pelo Cisvale será possível aos municípios contratarem os serviços de forma consorciada, atendendo as necessidades, inclusive em momentos de emergência e calamidade pública”, frisa Léa Vargas, diretora executiva do consórcio.

Agenda Ambiental deve voltar com gincana no segundo semestre

Proposta inclui calendário fotográfico e ações nas escolas; atividades devem marcar os 20 anos do Cisvale, que serão celebrados em outubro


Vera Cruz – A Câmara Setorial de Meio Ambiente do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) projeta a retomada do projeto Agenda Ambiental Cisvale 2030 – um planeta saudável, um futuro sustentável, ainda neste ano. A proposta foi apresentada durante reunião técnica realizada nesta quarta-feira, 18, durante a Feira da Produção, em Vera Cruz. A proposta de cronograma prevê a realização de uma gincana regional entre escolas, paralelo à realização de um concurso fotográfico para compor o calendário de 2026.

Conforme o coordenador da Câmara, Ricardo Konzen, a gincana será viável apenas com o engajamento dos municípios e das secretarias de Educação. “Precisamos resgatar as ações de educação ambiental, envolver as escolas e criar uma agenda regional que motive a participação. A gincana só funciona se todos os municípios estiverem integrados”, destaca. Segundo ele, a intenção é ouvir os professores e verificar a possibilidade de encaixar a atividade ainda no segundo semestre. A premiação está prevista para outubro, em comemoração ao Dia da Criança e aos 20 anos do Cisvale.

A diretora executiva do consórcio, Léa Vargas, ressaltou o potencial da proposta, diante da necessidade da retomada das ações da Agenda Ambiental Cisvale 2030. “A gincana promove uma competitividade saudável, que mobiliza estudantes, educadores e comunidades. É uma ferramenta eficiente para sensibilização e formação ambiental.” A proposta deverá ser discutida com secretários de educação dos municípios, para não entrar em conflito com os calendários letivos e de atividades escolares. Venâncio Aires já realiza uma gincana municipal, para escolha de um mascote para as ações de educação ambiental. O município confirmou a interação à disputa regional.

Outra proposta que poderá ser realizada em paralelo é a de criação de um concurso fotográfico, voltado à valorização do patrimônio natural dos municípios. As 12 imagens vencedoras deverão compor o calendário regional de 2026. Além disso, será criado um banco de imagens para uso institucional e educacional.


Recuperação de áreas e taludes


Além das ações nas escolas, por meio da Agenda Ambiental, a reunião técnica abriu espaço para a apresentação de propostas de compensação ambiental. Municípios como Rio Pardo, Sinimbu, Vale Verde e Vera Cruz trouxeram iniciativas voltadas à proteção de taludes e recuperação de áreas de preservação permanente e taludes de rios da região.

Segundo o presidente do Cisvale, Gilson Becker, já existem recursos disponíveis por meio de programas em nível estadual, financiados pela iniciativa privada. Uma nova reunião será realizada para definir os próximos passos e formatar um plano de trabalho regional. “Precisamos dar continuidade a projetos que dialogam com o que os municípios já estão fazendo. Essa é a função do consórcio: somar forças e transformar ideias em ações”, afirma o presidente.



Seminário regional


Ainda no rol de atividades da Câmara Setorial de Meio Ambiente do Cisvale está a possibilidade de realização de um seminário regional para tratar do tema dos resíduos sólidos na região. A iniciativa se integra à atualização do Plano Regional de Destinação de Resíduos Sólidos na Região.
Conforme o secretário municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Bem-Estar Animal de Venâncio Aires, Gustavo von Helden tema é de extrema importância, uma vez que o transbordo de resíduos e destinação final atualmente configuram-se como um alto custo aos municípios da região.

Uma nova agenda deverá ser criada para a discussão a respeito da possibilidade de realização de um seminário, com a apresentação de soluções para a destinação de resíduos sólidos, que constitui uma demanda crescente, com a produção diária de 203,4 toneladas de resíduo por dia.

Cisvale solicita cinco pontos de monitoramento dos rios ao Estado

Ajustes foram propostos à Secretaria Estadual da Reconstrução Gaúcha, que contratou a instalação de 130 estações pluviométricas, das quais, cinco unidades podem beneficiar o serviço da Defesa Civil regional

Santa Cruz do Sul – O Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), por meio do Comitê Pró-Clima, solicitou ao governo do Estado a readequação na posição de cinco unidades de monitoramento do clima, realizado por estação pluviométricas automáticas, que serão instaladas no Vale do Rio Pardo, o ajuste, necessário aos parâmetros técnicos dos engenheiros e profissionais que compõe a área técnica do Comitê. O encontro ocorreu com o subsecretário de projetos da pasta, Guilherme Bartels, responsável pelo projeto das estações pluviométricas do Estado.

Segundo o engenheiro ambiental Roberto de Monte Baccar Pilz, membro da Câmara Setorial de Meio Ambiente do Cisvale e do Comitê Pró-Clima, após análise do projeto criado pelo governo do Estado, foram detectadas pelo menos cinco áreas, nas quais os equipamentos serão instalados, precisam de ajustes para tornarem-se mais efetivos para a região. “Criamos inclusive um mapeamento que será encaminhado, com a justificativa do porquê de cada ponto sinalizado pela equipe técnica regional. Gostaríamos de sugerir adequações, ou até mesmo adesões a este edital do estado”, pontua.

Conforme Bartels, ao criar o projeto, a Secretaria Estadual da Reconstrução Gaúcha, o projeto contempla localizações macrorregionais, para que se pudesse criar o mapeamento do que seria necessário para o monitoramento pluviométrico. “A partir disso será necessário que a empresa que foi contratada realize uma vistoria técnica para saber, de fato, se esta sinalização feita no projeto está adequada com a necessidade”, destaca.

Na solicitação apresentada pelo Cisvale, conforme o subsecretário, há pontos nos quais as estações sugeridas pela região constam em proximidade com os pontos apresentados no projeto, situações nas quais ele acredita que poderão ser feitos ajustes. “Nossa ideia inicial era fornecer uma ideia onde seriam colocadas estas estações, necessitando posteriormente um ajuste a esta nova rede de monitoramento pluviométrico do Estado.”

Interligações dos sistemas

Para o presidente do Cisvale Gilson Becker, outra necessidade, além do mapeamento dos cinco pontos para instalações de estações pluviométricas (veja lista), com o objetivo de empregar uma maior eficiência ao modelo de monitoramento que será criado, é a compatibilização de informações entre equipamentos e redes de informação. “Precisamos ver com o governo do Estado um modo de interligarmos todas as estações – estas do governo – e as nossas, quando forem adquiridas. Nossa ideia é que possamos unificar todos estes dados dentro de uma única plataforma”, destaca Becker, ao dizer que esta condição é importante, antes da aquisição dos equipamentos via Cisvale. O tema será pauta da próxima assembleia de prefeitos, marcada para ocorrer em Vera Cruz, antes da abertura da Feira da Produção.

O subsecretário de projetos Guilherme Bartels explica que a integração de informações parece, neste momento, um dos pontos mais fáceis de acerto com a região, segundo ele, o governo do Estado trabalha para agregar informações de vários entes federativos, como o próprio governo federal, por meio da Agência Nacional das Águas (ANA) e outros sistemas de monitoramento. “A inclusão de alguma rede que o Cisvale venha adquirir poderá ser adicionada a este sistema que será mais robusto, contando com todas as estruturas de apoio, para fazer com que as informações auxiliem a todos que necessitem delas.”

Sugestões encaminhadas ao estado

1 – Arroio Castelhano – Distrito de Monte Alverne, Santa Cruz do Sul. Escolha foi estrategicamente definida para fins de prevenção e proteção da população local, cuja área é densamente ocupada por residências, comércios, serviços e escola, além de abrigar o Hospital de Monte Alverne — referência regional em serviços de saúde, especialmente nas especialidades de otorrinolaringologia e reumatologia;

2 – Arroio Andreas – Vera Cruz. Escolha deste ponto em razão da significativa presença de propriedades rurais, residências, indústrias e da Escola Municipal de Ensino Fundamental São Sebastião. Destaca-se, ainda, a proximidade ao ponto de captação de água bruta da Estação de Tratamento de Água do Município, bem como a posição a montante da ponte da estrada de Linha Andreas, via que conecta a localidade ao centro urbano de Vera Cruz e à rodovia RSC-287;

3 – Rio Jacuí – Rio Pardo. Instalação da estação pluviométrica no Bairro Fortaleza, zona urbana do Município de Rio Pardo, em virtude da relevância e do impacto do afluente Rio Pardo que deságua nas proximidades da área urbanizada da cidade. Além disso, o ponto é fundamental para o monitoramento do nível do Rio Jacuí a montante dos municípios de Vale Verde e General Câmara;

4 – Arroio Plumbs – Vale do Sol. Sugestão de instalação da estação na proximidade com a ponte existente na rodovia RSC 287, considerada de fundamental importância para a logística de transportes do Vale do Rio Pardo e do estado do Rio Grande do Sul. Além disso, no entorno da área encontram-se diversas unidades residenciais, comércio e uma escola municipal;

5 – Rio Jacuí – Vale Verde. O município de Vale Verde, foi estrategicamente definido, em virtude da presença de núcleos habitacionais na região, promovendo um monitoramento mais efetivo para fins de prevenção.

Articulação regional em resposta à crise climática vira exemplo nacional

Como convidado, o Cisvale participou do debate sobre ações em eventos climáticos extremos, apresentando as medidas de auxílio aos municípios que deram origem ao Comitê Pró-Clima

Brasília (DF) – O Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) participou, nesta terça-feira, 20, da programação da 26ª Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília, pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Após a apresentação do município de Sinimbu, feita pelo prefeito Wilson Molz, o trabalho iniciado com a ajuda humanitária e a articulação regional que deram origem ao Comitê Pró-Clima tornaram-se a pauta do evento.

Conforme o presidente do Cisvale, Gilson Becker, a participação do consórcio na Marcha dos Prefeitos em Brasília é extremamente positiva, uma vez que reafirma a relevância das ações realizadas em âmbito regional. “Até agora, as apresentações e debates nos quais estivemos presentes ocorriam sempre dentro das nossas regiões e estado. Nesta tarde apresentamos tudo que foi feito para uma plateia formada por gestores de todo o país”, destaca Becker, ao ressaltar que o retorno – por meio do contato com os participantes da Marcha – foi imediato. “Várias pessoas pendido contatos e informações a nosso respeito.”

A apresentação regional iniciou com as ações implementadas ainda no fim de abril de 2024, após o temporal que castigou a região antes das enchentes. “Primeiro relatamos a ajuda humanitária, a coordenação dela, a criação do PIX Solidário e todas as medidas, tomadas junto com várias entidades parceiras para socorrer e auxiliar os municípios no pós-catástrofe. Tudo isso deu origem ao Comitê Pró-Clima, do qual, também tivemos a oportunidade de apresentar os projetos e a forma como os criamos, assim como todas as estratégias para captar recursos”, resume Becker.

De acordo com o presidente do Cisvale, o conjunto de ações implementadas no Vale do Rio Pardo tornou-se um modelo nacional de resposta e ação aos eventos climáticos extremos. “Estivemos lado a lado, com membros da Defesa Civil de outros estados e pudemos compartilhar nossas ações, que podem servir agora de referência em casos de eventos extremos no Brasil. Esta ação amplia ainda mais a relevância do Cisvale e de toda a região que, junta, abraçou a causa e ajuda a tornar a recuperação do Vale do Rio Pardo menos difícil’, ressalta.

Além do presidente do Cisvale, Gilson Becker, e da diretora executiva do consórcio, Léa Vargas, a apresentação contou com a participação do vice-presidente do Cisvale, Jarbas da Rosa, prefeito de Venâncio Aires, município muito prejudicado pelos eventos climáticos de 2024, e o prefeito Wilson Molz, de Sinimbu, que apresentou o exemplo do município que está sendo reconstruído. A Marcha dos Prefeitos em Brasília, que conta com mais de 15 mil inscritos de todos os municípios brasileiros, é considerado um dos mais importantes para as gestões municipais, pois conta com a participação do governo federal e dos Estados. Nos debates e painéis realizados ao longo desta terça-feira, o presidente Luís Inácio Lula da Silva e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, estiveram presentes à programação.  

Grupo de trabalho regional busca reduzir espera por cirurgias

Mapeamento mostra que no Vale do Rio Pardo e Centro-Serra, ambas regiões de referência dos hospitais da região, mais de 1,4 mil pacientes aguardam por uma cirurgia em traumatologia; grupo de trabalho irá formatar alternativas para redução no número de pacientes

Santa Cruz do Sul – O Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), em parceira com as 8ª e 13ª Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS), Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Jacuí (Ci Jacuí), Ministério Público (MP), e municípios do Vale do Rio Pardo e Centro-Serra criaram um grupo de trabalho para fazer frente à fila de espera por cirurgias na área de traumatologia de alta complexidade em ambas as regiões. A intenção é mapear alternativas e apontar soluções conjuntas para o enfrentamento à fila de espera que hoje tem 1.417 pacientes nas duas regiões.

De acordo com o presidente do Cisvale, Gilson Becker, a situação merece uma atenção especial das duas regiões, pois a referência para pacientes vinculados às 8ª CRS – Região Centro-Serra e 13ª CRS – Vale do Rio Pardo, estão junto aos hospitais regionais. “Após o levantamento feito pela equipe do Cisvale, pudemos quantificar que o número de pacientes na espera por estes procedimentos, nas áreas de traumatologia, ortopedia e cirurgia de coluna apresenta um contingente importante, mostrando que uma solução eficaz está na ação regional em cima desta espera”, ressalta o presidente.

O levantamento do volume de pacientes que aguardam por procedimentos de alta complexidade – que são cirurgias mais complexas – muitas com a colocação de próteses nos pacientes foi realizado em 2022, pelo Cisvale. Na época havia um aceno de recursos do governo do Estado, para a coparticipação no custeio dos procedimentos junto aos municípios. “Estes dados foram atualizados agora e mostram um crescimento no quantitativo de 2022 para cá. Na época, foi apurado que a lista de espera continha 1.007 pacientes nas duas regiões. De lá para cá o número aumentou em 410 pacientes, fazendo com que o tema entre na pauta de prioridades da região”, destaca o presidente.

No encontro realizado no Cisvale, ficou acordado entre os entes que integram o grupo de trabalho que, a partir de agora, são necessárias várias ações para quantificar e criar um plano de trabalho para a realização das cirurgias. “Um dos pontos mais importantes está a depuração da fila de espera, assim como os orçamentos para o custeio desta operação, prevendo consultas, exames prévios, procedimentos, próteses e internações. É necessário também que sejam apontadas as fontes de recursos e a participação da União nesta ação”, justifica a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas.

O grupo de trabalho segue também com a missão de encontrar formas de financiamento, tanto por parte dos municípios das duas regiões, quanto na participação com os governos do estado e federal, para o custeio destes procedimentos de alta complexidade, que são, em sua essência, responsabilidade do Estado e da União, no que se refere aos recursos destinados para a pactuação na realização do mutirão para redução da fila de espera no Vale do Rio Pardo e Região Centro-Serra.

Espera que não é razoável com os idosos

Para a 1ª promotora de Justiça Cível do Ministério Público de Santa Cruz do Sul, Catiuce Ribas Barin, a espera por uma cirurgia, independente da classificação de média ou alta complexidade é incompatível com a manutenção da qualidade de vida, especialmente das pessoas idosas. “O tempo de espera não é razoável, especialmente quando estamos falando dos idosos, em uma situação que se torna ainda mais difícil com a judicialização de cirurgias, demandando ao estado, na maioria das vezes, a responsabilidade sobre estes procedimentos”, pontua.

Conforme a promotora, o envolvimento do Ministério Público no grupo de trabalho para o enfrentamento à fila de espera das cirurgias de alta complexidade nas regiões de saúde da 8ª e 13ª Coordenadorias Regionais de Saúde faz-se necessário para auxiliar no controle e na lisura do processo para a redução delas. “É um acompanhamento que tem por objetivos dar dignidade no atendimento a estes pacientes ao mesmo tempo que emprega transparência nesta questão das filas”, complementa a promotora Catiuce Ribas Barin.

Vale do Taquari reconhece papel do Cisvale por meio do Pró-Clima

Assembleia conjunta entre o Cisvale, Amvarp e Amvat ocorreu nesta sexta-feira, 2, durante a programação da 17ª Fenachim, em Venâncio Aires

Venâncio Aires – O Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) teve a sua atuação destacada durante a assembleia conjunta das Associações dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp) e Vale do Taquari (Amvat), realizada na manhã desta sexta-feira, 2. O evento, parte da programação da 17ª Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim), foi realizado no Parque do Chimarrão, na presença de prefeitos e lideranças das duas regiões. Em sua manifestação, o presidente da Amvat, Sidinei Moisés de Freitas, do município de Sério, destacou a atuação do consórcio após a tragédia do clima de maio do ano passado.

Conforme o presidente do Cisvale, Gilson Becker, atualmente, o consórcio trabalha em duas frentes: na captação constante de recursos por meio de editais de financiamentos públicos e na atualização de dados e informações para aquisição e instalação de equipamentos e dispositivos doados para o monitoramento do clima. “Hoje trouxemos aqui o panorama dos nossos projetos e as formas de captação de recursos implementadas para a condução destas atividades. São propostas que somadas ultrapassam os R$ 79 milhões de investimento, focando na capacidade de adaptação e resiliência climática de nossa região”, disse.

A diretora executiva do Cisvale Léa Vargas apresentou o portfólio de projetos e o andamento das iniciativas criadas pelo Comitê Pró-Clima. De acordo com ela, algumas ações em fase de licitação – como a aquisição de recursos para a Defesa Civil da região – por meio da doação da empresa JTI, passaram pela avaliação dos coordenadores dos municípios da região. “Uma delas é a substituição dos botes de resgate por barcos rígidos com reboque, justamente porque a geografia de nossos rios mostra um terreno rochoso, assim como a necessidade, em situações de cheias, de entrar com as embarcações dentro da área urbana das cidades”, justifica.

Durante a exposição do Cisvale, os prefeitos das duas regiões tiveram acesso aos seis projetos criados pelo Comitê, ações de socorro, como o PIX Solidário, e todo o escopo técnico e científico empregado na região por meio das parcerias firmadas pelo Cisvale.

Em seu pronunciamento, o presidente da Amvap ressaltou a importância do trabalho executado pelo Cisvale, na criação do Comitê Pró-Clima e o impacto das ações já implementadas em nível regional. “Em um encontro, realizado na última semana, ouvimos elogios do promotor de Justiça Sérgio Diefenback, de Lajeado. Ele elogiou muito o trabalho do Cisvale e agora é a nossa vez de darmos os ‘parabéns’ ao prefeito Gilson e sua equipe”, ressalta o prefeito do município de Sério, no Vale do Taquari.

Força-tarefa que deu origem ao Comitê Pró-Clima completa um ano

Ação liderada pelo Cisvale concentrou os esforços humanitários e de recursos para os municípios atingidos pelos eventos climáticos de abril e maio de 2024; um ano após a tragédia do clima a região tem projetos aprovados pelo Estado e ações já contempladas por meio de parcerias e doações

Santa Cruz do Sul – A força-tarefa para ajuda aos municípios atingidos pelas enchentes de maio de 2024 completa um ano na próxima quarta-feira, dia 30. A ação, coordenada pelo Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) contou com uma série de iniciativas para promover o socorro imediato às vítimas da tragédia do clima, seguindo no auxílio da reconstrução e iniciativas para adaptação e resiliência nos municípios do Vale do Rio Pardo.

Conforme o presidente do Cisvale, Gilson Becker, a mobilização regional que deu origem a criação do Comitê Pró-Clima e todas as ações pró-recuperação e resiliência do Vale do Rio Pardo só foi possível por meio da centralização das atividades. “Foi um evento climático extremo, uma situação sem precedentes em nossa história, pois a área atingida pelas enchentes foi superior a 2,4 mil quilômetros de extensão, impactando em mais de 31,9 mil moradores do Vale do Rio Pardo”, destaca o presidente.

Para fazer frente a uma calamidade desta magnitude, ressalta Becker, a mobilização para o socorro e atendimento às comunidades impactadas só seria viável por meio da união entre os municípios. “Entendendo isso, a direção e a equipe técnica do Cisvale pensaram na criação da força-tarefa que podemos dizer foi o embrião do Comitê. Contamos com muita ajuda voluntária, por meio de empresas, entidades de classe e organizações que juntas deram o suporte necessário aos municípios. Registramos aqui a nossa gratidão também a todos estes profissionais que se dedicaram nesta missão que completa um ano”, avalia.

No entanto, a força-tarefa para o socorro e recuperação imediatos à região acabou mostrando a necessidade da criação de um Comitê de gerenciamento e implementação de ações a médio e longo prazo, focado especialmente na resiliência e na adaptação aos eventos climáticos. De acordo com a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, a união de entidades, pesquisadores e municípios culminou na criação do Comitê Pró-Clima (veja cronologia), órgão responsável pelos projetos e ações ligadas ao meio ambiente e o Vale do Rio Pardo. “No decorrer das ações realizadas, percebeu-se que seria necessário que houvesse um órgão, ou uma organização capaz de continuar este trabalho. O Cisvale e as demais entidades que caminhavam juntas neste trabalho entenderam que seria necessário um comitê permanente”, destaca Léa, ao reforçar que além de toda a sociedade civil, prefeituras e entidades, os órgãos de controladoria, como o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público foram chamados a participar do comitê, auxiliando especialmente nas questões relacionadas com o bem público e a utilização de recursos de maneira correta.

“Olhando para trás, para um ano desta tragédia e tudo que precisou ser feito desde então, o Cisvale entende que o protagonismo criado pelo consórcio e seus municípios foi fundamental para que a região tivesse condições de se reerguer de maneira mais rápida, olhando para o futuro e a necessidade de um monitoramento constante do clima e do meio ambiente”, analisa o presidente do Cisvale.

Ferramenta essencial, garante Ministério Público

Conforme o promotor de justiça Erico Barin, do Ministério Público (MP) de Santa Cruz do Sul, o Comitê Pró-Clima, ou a força-tarefa coordenada pelo Cisvale tornaram-se ferramentas essenciais no enfrentamento e na prevenção de catástrofes climáticas. “Isso porque permite a reunião, num mesmo fórum, de servidores públicos e profissionais da iniciativa privada com conhecimento na área, criando a base teórica e o planejamento de obras e ações que realmente possam fazer frente ao problema”, avalia.

Para o promotor da Promotoria Especializada do MP, o comitê consegue realizar uma perfeita interface entre a sociedade, a gestão pública e a necessidade dos municípios. “Não bastasse, a atuação regional rompe barreiras burocráticas e permite o diálogo e a coleta de recursos entre o setor público, o meio político e a iniciativa privada, tudo em consonância com objetivo de preparar a região e atenuar efeitos de novos eventos climáticos severos”, complementa Barin.

Segundo o coordenador do serviço regional de auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Santa Cruz do Sul, Giuliani Schwantz, para melhor atender os municípios afetados pelo desastre climático no ano passado, o Tribunal de Contas do Estado adequou o seu plano de fiscalização e preconizou a orientação por gestão assistida àqueles mais afetados. “No Vale do Rio Pardo, o Cisvale teve atuação destacada nesse processo, tendo canalizado recursos para a assistência imediata das populações atingidas, ao reestabelecimento dos serviços essenciais e para a reconstrução, que perdura até hoje. Em paralelo, mobilizou os municípios consorciados para a criação do Comitê Pró-Clima, cujos projetos em execução são acompanhados pelo TCE desde a sua concepção”, avalia o coordenador.

Cronologia

30/04 – Cisvale cria o PIX Solidário do Vale do Rio Pardo para receber doações para os municípios atingidos pelo temporal do sábado, 27/04 e as enchentes ocasionadas pelas frequentes chuvas que castigam a região. Por meio de doações particulares e da Faculdade Dom Alberto, o PIX Solidário arrecadou mais de R$ 1,350 milhão, dividido entre os municípios atingidos. A ação deu origem ao Fundo do Comitê Pró-Clima, na sequência;

1/05 – A partir de uma reunião com prefeitos, representantes da segurança pública, deputados estadual e federal da região e demais gestores, pela criação de uma pauta coletiva de ajuda ao Vale do Rio Pardo, para concentrar as ações de ajuda humanitária e de reconstrução no Consórcio;

10/05 – O Centro Regional de Referência em Transtornos do Espectro do Autismo (Centro TEA) – Programa Estadual TEAcolhe – do Cisvale realizou uma ação especializada de acolhimento aos pacientes com autismo, após a catástrofe climática que gerou a destruição na região. O serviço está disponível junto dos 13 municípios consorciados e tem como objetivo realizar o acolhimento destes pacientes e profissionais ligados à área da saúde;

16/05 – Por meio de uma parceria com a Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos de Santa Cruz do Sul (Seasc) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul (CREA-RS) foi realizada uma força-tarefa para a avaliação de 130 imóveis em Sinimbu. Ao todo, foram feitos laudos para quase 600 imóveis em Sinimbu, Vale do Sol e Venâncio Aires;

26/05 – O Cisvale firmou uma parceria com o Sinduscon-RS, para ajudar na reconstrução dos municípios atingidos pelas enchentes viabilizando a atividade de horas-máquina, por meio de empresa associada da entidade. Além disso, o Sindicato coloca-se à disposição, por meio de outra associada, para atuar na linha de frente dos estudos de criação de espaços urbanos para receber habitações que serão construídas para famílias que perderam suas casas com as enchentes;

20/06 – O Cisvale recebe a doação de R$ 275 mil do Instituto BAT Brasil, sendo a primeira doação de financiamento coletivo arrecadada pela empresa, onde cada R$ 1 doado pelos colaboradores, a BAT complementou com R$ 2, contabilizando o total de R$ 275.980,46, utilizado para reconstrução dos municípios;

24/07 – Em uma audiência no município de Vera Cruz, com a participação de membros técnicos de universidades, como a UFSM e Unisc, abordou-se a necessidade de concentrar esforços técnicos e científicos para a reconstrução e resiliência da região;

07/08 – Criação do Comitê Pró-Clima, para inclusão do Vale do Rio Pardo no Plano Rio Grande, apresentado pelo governo gaúcho como estratégia de adaptação, resiliência e reconstrução do Estado;

07/08 – Reunião com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano para apresentação do projeto para desassoreamento de rios no Estado, com o financiamento de R$ 1,5 milhão para municípios em situação de calamidade e R$ 750 mil para municípios em situação de emergência;

15/05 – Em audiência com o vice-governador do Estado, Gabriel Souza, o Cisvale entregou o protocolo para cadastramento do Comitê Pró-Clima no Plano Rio Grande, com a possibilidade de após definição, incluir os projetos regionais no planejamento do Estado;

18/08 – Criação dos quatro eixos-temáticos para atuação do Comitê Pró-Clima, com 19 metas e propostas para a região. Estas metas deram origem aos seis projetos que mais tarde foram submetidos e pré-aprovados pelo Plano Rio Grande;

10/09 – Defesa Civil do Estado confirma ao Comitê Pró-Clima a instalação de uma base regional no Vale do Rio Pardo, para dar suporte às ações necessárias às Defesas Civis da região;

12/09 – Projetos para reconstrução, resiliência e adaptação do Vale do Rio Pardo, elaborados pelo corpo técnico do Pró-Clima ultrapassam a marca dos R$ 79 milhões em investimentos;

25/09 – Projetos são apresentados à lideranças e políticos. A partir desta ação, com a criação do Caderno de Projetos, as propostas foram submetidas a análise internacional, durante a COP-29 da ONU no Azerbaijão, por meio da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Da ação, já foram realizados contatos com bancos de fomento internacional – os Brics – para captação de recursos;

28/11 – Os projetos do Pró-Clima são levados a Brasília, para inclusão das propostas nas emendas parlamentares. A direção do Cisvale percorreu a capital federal durante uma semana, na “Missão Brasília”, na intenção de captar recursos. Em fevereiro de 2024, o Consórcio participou de um evento em Brasília, onde foi apresentado o projeto AdaptaCidades, com mais recursos para inclusão de projetos regionais;

27/01 – Os seis projetos elaborados pela equipe técnica do Comitê Pró-Clima, criado pelo Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), para adaptação, resiliência e recuperação em eventos climáticos severos foram pré-selecionados pelo Comitê Gestor do Plano Rio Grande;

09/04/2025 – No balanço dos 100 dias de 2025, foram contabilizados R$ 37,5 milhões em projetos – entre a submissão das ações regionais a novos projetos – assim como o recebimento de recursos por meio da doação de seis estações meteorológicas pelo Sicredi, doação de R$ 645 mil do programa de voluntários da JTI e recursos da Consulta Popular Cidadã, indicados pelo Corede Vale do Rio Pardo, para aquisição de equipamentos para a região;

24/04/2025 – Recepção à Defesa Civil Regional que já atua no Vale do Rio Pardo, junto ao Corpo de Bombeiros de Santa Cruz do Sul e apresentação dos projetos e ações realizadas pelo Comitê Pró-Clima.

Comitê Pró-Clima recebe coordenação regional da Defesa Civil

Oficiais que têm como base o Vale do Rio Pardo foram recebidos pela equipe técnica e coordenadores municipais da Defesa Civil da região; durante o encontro, foram apresentados projetos em andamento e a adesão a novos programas de financiamento

Santa Cruz do Sul – O Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) promoveu uma reunião de apresentação entre os oficiais da Defesa Civil Regional – lotados no Vale do Rio Pardo – e os membros que atuam no órgão junto aos municípios consorciados. A ação tem como objetivo aproximar o Comitê Pró-Clima do comando regional da Defesa Civil, para compartilhar projetos e ações realizadas com foco na adaptação e resiliência climática. Comitê irá inscrever região em um novo edital de financiamento, com possibilidade de captação de até R$ 12 milhões para obras estruturais e de operação em desastres.

Além da apresentação do caderno de projetos, com as seis propostas dos quatro eixos de trabalho do Comitê, o presidente do Cisvale Gilson Becker, apresentou ao comando regional da Defesa Civil as formas de articulação para criação de um sistema eficiente de alerta e previsão meteorológica. “Contamos com doações de estações meteorológicas, estações de monitoramento e sensores pluviométricos. Estamos trabalhando para que seja desenvolvido um sistema regional, capaz de receber, quantificar e interpretar estes dados, fornecendo a informação confiável e segura a todos os municípios”, destacou Becker.

O coordenador adjunto da Defesa Civil Regional, Joel Dittberner, acompanhado do 1º tenente Jader Edtt e do 1º sargento Aguiar Araújo, que estão instalados em Santa Cruz do Sul junto ao Corpo de Bombeiros, participaram do encontro com os demais pares da Defesa Civil dos municípios. “Nosso trabalho aqui é garantir que estamos aqui para ajudar, em tudo que for necessário, os municípios do Vale do Rio Pardo. Precisamos também destacar aqui o excelente trabalho do Cisvale, que caminha mais rápido que as demais regiões do Estado, criando ações, projetos e captação de recursos para o Vale do Rio Pardo”, ressalta o adjunto.

Dittberner revelou ainda que do contingente total de nove militares – do qual é formado – a Defesa Civil regional conta com três militares atuando de maneira integral no Vale do Rio Pardo, situação que também potencializa a atuação do Comitê Pró-Clima na região. “Com todo este trabalho, o aperfeiçoamento de nossos projetos e equipe técnica e mais a presença da Defesa Civil Regional, acreditamos que se ocorrer uma nova situação, semelhante ao que vivemos em maio do ano passado, teremos um nível de resposta e organização muito melhor do que em 2024”, avalia o presidente do Cisvale, Gilson Becker.

Necessidade de veículos tracionados

Em manifestação durante o encontro, as lideranças municipais ligadas aos órgãos de Defesa Civil dos municípios manifestaram a necessidade da aquisição de caminhonetes, com tração 4×4 para o atendimento às emergências. Dos 17 municípios do Cisvale, apenas Santa Cruz do Sul tem o equipamento, essencial para socorro imediato e acesso a localidades isoladas. “Por meio desta avaliação, concluímos que este tipo de veículo é uma prioridade para além dos mais de 170 equipamentos listados para aquisição, nos projetos do Pró-Clima”, destaca a diretora executiva do Consórcio, Léa Vargas.

Entre as iniciativas para aquisição destes veículos está a adesão ao edital de financiamento do Ministério Público, por meio do Fundo para Reconstrução de Bens Lesados. Neste edital, foi cadastrada a aquisição de sete caminhonetes tracionadas, no valor total de R$ R$ 2.107.910,00 milhões. “O Cisvale cadastrou proposta neste edital. É importante que sigamos participando de todos editais e financiamentos públicos e privados, para garantir o recebimento dos recursos necessários para nossa região. A própria aquisição destes veículos tracionados pode ser feita, caso sejamos contemplados neste edital do Ministério Público do Rio Grande do Sul”, complementa o presidente do Cisvale, Gilson Becker.

Neuropsicóloga compartilha experiência em palestra sobre Autismo

Andressa Sehn, que é mãe de um filho autista adolescente irá acolher outras mães e familiares de pessoas com TEA na próxima quarta-feira, 23, no Auditório Memorial da Unisc; evento é gratuito e com vagas limitadas

Santa Cruz do Sul – O Centro Regional de Referência em Transtorno do Espectro do Autismo (Centro TEA) do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) promove na próxima quarta-feira, 23, um evento de acolhimento a pais e familiares de pessoas com autismo. A palestra “Autismo: conhecer, incluir e transformar”, será ministrada pela neuropsicóloga Andressa Sehn, que é mãe de um adolescente autista. O evento ocorre a partir das 19 horas, no Auditório Memorial da Unisc, no campus da universidade em Santa Cruz do Sul, com entrada franca.

Conforme a especialista, a ideia é criar conexão com as famílias que irão participar do encontro, para promover a empatia e a proximidade com os familiares e cuidadores que convivem com crianças e adultos com o transtorno do espectro do autismo. “É preciso entender que o cérebro de uma pessoa com autismo é atípico, não funciona como de uma pessoa que não tem. Por isso, os critérios de diagnóstico, quanto mais rápido tornam mais fáceis os níveis de suporte e cuidados com ele. Desde os três anos de idade do meu filho – hoje adolescente – eu convivo com esta sistemática, por isso que eu propus iniciar criando uma conexão com a plateia”, destaca.

Como mãe e profissional da área, Andressa destaca que além de pensar na previsibilidade das situações e formas de abordagem, é necessário também prestar atenção ao ambiente, a tudo que rodeia a pessoa com autismo, pois qualquer diferença no meio, como um cheiro, uma luz, ou até mesmo a movimentação de pessoas, provocam incômodo no autista. “Muitas vezes nos preocupamos em como iremos nos portar na presença de um autista, mas não é só a nossa interação que interfere é todo o ambiente e o contexto no qual estamos inseridos”, frisa a especialista que participou, na época, da criação do Centro TEA do Cisvale.

Para a diretora executiva do Consórcio, Léa Vargas, a oportunidade de compartilhar experiências e contar com representações de associações de pais de pessoas com autismo de oito municípios da região torna o evento ainda mais grandioso. “Dentro da programação do Centro TEA durante o mês de abril este é um momento muito especial, voltado especificamente para pais e familiares de pessoas com autismo. Por isso deixamos o convite para que todas as pessoas que tiverem interesse em participar, possam estar conosco na próxima terça-feira”, ressalta.

A palestra ocorre no Auditório Memorial da Unisc, no Bloco 53 do Campus da universidade em Santa Cruz do Sul, a partir das 19 horas da quarta-feira, dia 23. Não é necessário fazer inscrição, e o evento é gratuito, aberto à comunidade. Porém o espaço do auditório é limitado em 120 vagas. A promoção é do Centro TEA – Programa Estadual TEAColhe e Cisvale, com apoio de associações da região. Participam da organização a Associação de Familiares e Amigos de Pessoas com Deficiência (Afae) de Sinimbu, Associação de Amigos Especiais (Adae) de Vera Cruz, ONG Anjo Azul de Passo do Sobrado, ONG Mandala de Candelária, Esperança Azul de Venâncio Aires, ONG Luz Azul de Santa Cruz do Sul, Associação Riopardense de Pais e Amigos dos Autistas (Arpaa) – de Rio Pardo –  e Associação Pantanense de Pais e Amigos dos Autistas, de Pantano Grande.