AdaptaCidades avança e revela os primeiros dados sobre riscos climáticos da região

Aplicação da Lente Climática, segunda etapa do programa, começa a traduzir ameaças e vulnerabilidades em dados concretos; municípios consorciados têm até 15 de outubro para concluir os levantamentos, que irão subsidiar a análise regional de riscos

Santa Cruz do Sul – Os primeiros dados capazes de dimensionar os riscos climáticos no Vale do Rio Pardo começam a aparecer. O AdaptaCidades está na segunda etapa de seu cronograma, com a aplicação da Lente Climática, ferramenta responsável por reunir e sistematizar informações sobre ameaças, exposição e vulnerabilidades em cada município. Vera Cruz já apresenta resultados deste trabalho, enquanto os demais municípios consorciados avançam nos levantamentos, que têm prazo de conclusão até 18 de outubro. A partir desse conjunto de informações, o Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) dará sequência à construção da análise regional de risco climático.

Vera Cruz é um dos exemplos de como esta leitura começa a ganhar forma. O levantamento realizado pelo município considera ameaças como chuvas intensas, enxurradas, alagamentos, estiagens, ondas de calor, movimentos de massa, erosão, inundações, granizo e tempestades severas. Entre os dados já identificados estão 194 pessoas desalojadas ou desabrigadas desde 2021, 40 moradias expostas aos principais perigos e aproximadamente 100 quilômetros de vias e estradas vulneráveis. As informações ajudam a identificar pontos de maior exposição e fornecem a base necessária para a etapa seguinte, dedicada à análise de risco climático.

Para a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, a aplicação da Lente Climática representa um momento fundamental para transformar as diferentes realidades municipais em informação qualificada. “Cada município está fazendo uma leitura detalhada do seu território, identificando as ameaças e onde estão as principais vulnerabilidades. É este trabalho que vai nos fornecer a base para avançarmos na análise dos riscos e, posteriormente, construirmos uma visão regional capaz de orientar prioridades e medidas de adaptação”, destaca.

Com a conclusão dos levantamentos até 29 de setembro, o Cisvale passará a reunir e sistematizar as informações produzidas pelos municípios. O trabalho permitirá avançar nas próximas etapas previstas pelo AdaptaCidades, que incluem a análise de risco climático, a identificação e a priorização de medidas de adaptação. A proposta é que, ao final deste processo técnico, a região disponha de um mapeamento capaz de demonstrar onde estão os principais riscos, quais territórios demandam maior atenção e quais respostas podem ser estruturadas de forma conjunta.

A construção regional também deverá abrir espaço para a participação da sociedade civil. Com o mapeamento consolidado, o Cisvale prevê a realização de um seminário regional para apresentar os resultados e ampliar o debate sobre as estratégias de adaptação. A participação de diferentes setores deverá contribuir para transformar os dados levantados pelos municípios em prioridades e ações voltadas à preparação da região diante dos eventos climáticos extremos.

O presidente do Cisvale, Gilson Becker, ressalta que o processo permite dar maior segurança ao planejamento dos municípios. “Estamos construindo uma base técnica para compreender de forma cada vez mais precisa como os eventos climáticos atingem a nossa região. Quanto mais qualificadas forem essas informações, melhores serão as condições para definir prioridades, planejar investimentos e buscar soluções integradas. A Lente Climática é uma etapa importante deste caminho, que ainda terá outros momentos fundamentais até chegarmos às medidas concretas de adaptação”, complementa.